NÃO SOMOS ESSENCIAIS?

30/03/2021 0 Por admin

Pois é, como o tempo mostra uma memória curta, mas é preciso buscar o início de nossa história.Vejamos no passado, quando começamos, muitas cidades tiveram como primeira construção comum uma Capela de madeira. Por incrível que pareça não eram feitas nem uma Prefeitura, ou Câmara dos vereadores. O vigário vinha de longe, montado em um cavalo, ou mesmo em uma charrete, pelo caminho tomava chuva e passava calor, mas ele vinha. Ao chegar, tomava um cafezinho com pão feito no forno a lenha na casa da dona Maria, ele fazia a reunião comunitária, depois os batizados, os casamentos e a Santa Missa.O povo se reunia dentro da Igreja, mesmo ela não sendo ESSENCIAL, mas ali discutiam como tinha sido a plantação, e, cada um ajudava os que ainda precisavam fazer suas colheitas.O vilarejo não tinha escola e o Vigário cedeu o espaço da Capela para a professora ensinar as crianças o BEABÁ, de Capela virou escola, mesmo a Igreja não sendo ESSENCIAL.Com o tempo, começaram a sonhar com a emancipação política, e dentro da Igreja, orientados pelo Vigário, sonharam com um nome para a nova cidade.Pegaram a “pena” e num papel escreveram as novas leis daquele lugar, pensaram em quem poderia ser o 1º Prefeito e os Vereadores. Pediram para o Vigário ajudar na elaboração das leis, tudo dentro da Capela, mesmo a Igreja não sendo ESSENCIAL, ela estava presente em todas as decisões.A vila vira cidade, a Capela vira Matriz, o Vigário vira Pároco e até a escolinha já tem seu prédio próprio. Colocaram no alto da Matriz um Sino e de hora em hora dá as badaladas, se torna uma referência para todos da cidadezinha, mesmo a Igreja não sendo ESSENCIAL, todos sabem a hora pelo badalar sino.A cidadezinha cresce, começam as lojas de comércios, chega um Banco financeiro, o prefeito, já pouco ligado a Igreja, fica feliz, pois é investimento na cidade, são recursos chegando, mais eleitores, mais riquezas, porém com tudo isso também começam a existir as desigualdades sociais, de pessoas extremamente poderosas e de pobres cada vez mais pobres. Os poderosos criam seus grupos, os pobres deixados de lado, o único lugar que conseguem se sentir iguais aos outros é na Igreja.Ali entram, fazem suas preces, confessam e recebem os Santos Sacramentos. Ali são consolados, são tratados com dignidade, pois são vistos como dons de Deus e não meros números.A Igreja começa a criar movimentos, pastorais e grupos e entre esses grupos alguns preocupados com os carentes, pois percebem que os governantes não estão preocupados, pois não é tempo de ELEIÇÃO, e outra cuidar de pobres e doentes não dá ibope e nem lucro, (ops. Hoje dá lucro e muito ainda).Começam a dizer que Igreja não deve se meter em política, que não entende nada de leis ou normas, será que não perceberam ainda que a Igreja é a maior entidade filantrópica do mundo, que fomos nós que criamos as faculdades, hospitais, que muitas cidades são dedicadas aos nossos Santos, será que não perceberam a força que somos dentro de uma sociedade cada vez mais corrupta e negligente.Entendemos sim de lei e muito bem, pois seguimos uma lei que foi criada a mais de 2.021 anos atrás, lei que aprendemos e praticamos, lei da justiça e fraternidade, lei da partilha e solidariedade.Quando chega o momento ELEITORAL, veem correndo às nossas portas, se mostram os mais devotos, piedosos e fiéis, oferecendo propostas e soluções, mas por que fazem isso se a Igreja não é ESSENCIAL?Eu sei por que… Por que, nós estamos sempre de portas abertas, ouvimos todo mundo, desde confissões até aconselhamentos e direção espiritual, dando esperança para aqueles que não sabem que caminho tomar; quando solicitam nosso trabalho saímos até fora de hora para visitar os doentes e os idosos em hospitais ou mesmo em residências; quando nos pedem algo para colocarem na mesa, ou dentro da panela, nós por meio das doações a Igreja e aos Vicentinos, alimentamos muitas famílias, serviço que nossas lideranças politicas deviam fazer com mais intensidade, mas não fazem.E nós mesmo não sendo ESSENCIAIS, fazemos o que muitos essenciais se esquecem ou por vontade própria não fazem.Mesmo sem sermos ESSENCIAIS, continuaremos a fazer nosso trabalho, como amor, dedicação, zelo e cuidado. Seguiremos as regras e normas, seremos sempre prudentes e atentos, usaremos as máscaras, o álcool 70%, e, todas as infinitas recomendações.Deixaremos nossas portas abertas, evitaremos aglomerações, porém alimentaremos rezaremos todos os dias pelo nosso povo, pois não somos políticos, somos pastores escolhidos por Deus para mostrar que a Igreja é ESSENCIAL sim. Pe. João Carlos